Plano de Ação Estruturador-PAE

A elaboração do Plano de Ação Estruturador (PAE) foi a segunda fase do Projeto Beira-Rio. O Plano de Ação fornece os subsídios conceituais para o estabelecimento de um almejado processo de desenvolvimento de diretrizes para projetos e políticas em todo o território municipal, tendo como foco o rio e suas relações com a cidade; recupera o princípio da sustentabilidade lançado pelo diagnóstico “A cara de Piracicaba” por meio da aplicação de conceitos do Planejamento Ambiental e do Desenho Ambiental, tendo a ideia do rio como eixo de desenvolvimento sustentável para Piracicaba.

Os conceitos trabalhados pelo PAE relevam os espaços identitários da cidade em função de suas importâncias e potencialidades na construção de uma noção de pertencimento ao sistema biológico, antrópico e cultural formado por rio e cidade. Alguns conceitos, por exemplo, são os de corredor ecossocial (sistema de circulação correspondente aos fundos de vales e conectado à calha do rio) e os de primeiro, segundo e terceiro leitos (respectivamente, a calha natural do rio em sua maior parte do ano, a calha do rio em períodos de enchentes e a calha do rio “cênico”, que se oferece em visuais significativas para a cidade, muitas vezes através de imagens fortemente identitárias).

O patrimônio cultural é entendido no Plano de Ação Estruturador como a apreensão pelo cidadão dos patrimônios naturais (o salto do rio, a pedreira do Bongue, o Paredão Vermelho, as matas urbanas do Engenho e da Chácara Nazareth) e os patrimônios construídos (o Engenho Central, a “Casa do Povoador”, a Fábrica Boyes, Monte Alegre, a Rua do Porto etc).

A aplicação destes conceitos resulta em premissas do PAE fundamentadas em programas de educação ambiental e capacitação para a indústria do turismo e do ecoturismo – as quais, por suas intrínsecas propriedades de preservação do patrimônio cultural associadas à inserção social e geração de renda, devem ter fomento planejado pelo poder público. Para tanto o PAE preconiza a elaboração de um zoneamento ecológico-econômico do município como a base deste processo, em direção a um novo paradigma de ocupação antrópica no meio físico.